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quarta-feira


Quem testa a nossa fraqueza, quem procura as nossas brechas, quem descobre as nossas feridas, encontra frequentemente a nossa força, a nossa persistência e a nossa indomável vontade de lutar contra as vagas que inundam o caminho que trilhamos.

Não se pode medir a alma pelo lado de fora, não se pode julgar o que não conhecemos e achamos saber... A sabedoria para escutar o espirito d’outro está na capacidade de vestir a mesma fraqueza, assumir as mesmas brechas e suportar as próprias feridas, só então se consegue ouvir a verdade despida da alma que tomba nas nossas mãos.

terça-feira


Fechada no quarto da minha memória,
dispo a pele que tocaste, desmaquilho os beijos,
esfomeados e ternos, que trocámos infinitamente,
no banho das lágrimas contidas, lavo o teu cheiro,
a forma das tuas mãos na minha coxa,
seco os meus cabelos do calor dos teus dedos,

E visto-me de caxemira e seda, feitas de desilusão...