Entre a lama da cobardia e os dejectos de indiferença,
consigo apanhar pequenos cacos de mim,
antes translúcidos, agora baços e polidos,
pela corrente de tristezas que foi passando por mim.
consigo apanhar pequenos cacos de mim,
antes translúcidos, agora baços e polidos,
pela corrente de tristezas que foi passando por mim.
Arranho-me, corto-me, passo eternidades de joelhos,
catando cada pedacinho, pois sem me encontrar,
não existo, não respiro, não sinto, não amo....
E quero, quero voltar a ter o vento nos cabelos.
Vou ter que reconstruir-me, devagar,
encaixar cada sentimento, limpo e lapidado,
pacientemente, com tempo, vou precisar de tempo.
Apenas e somente tempo... tenho que roubar o tempo que perdi.
Quando terminar, quero ter coragem de ver
a minha alma remendada
e fazer um vestido novo para sair à rua.
e fazer um vestido novo para sair à rua.










